EDITORIAL
O Acre possui uma das maiores reservas hídricas da Região Norte e reúne todas as condições naturais para se consolidar como referência nacional na produção de pescado. Com clima favorável, rios abundantes e espécies nativas de alto valor comercial, a piscicultura desponta como uma das atividades mais promissoras para o desenvolvimento sustentável do estado. No entanto, esse potencial ainda está longe de ser plenamente explorado.
Dados da Secretaria de Estado de Produção e Agronegócio (Sepa) indicam que, em 2023, o Acre produziu cerca de 8 mil toneladas de peixe, com destaque para os polos de Acrelândia, Senador Guiomard e Plácido de Castro. As principais espécies cultivadas são o tambaqui, pirarucu, pintado e curimatã, todas com excelente aceitação no mercado regional e nacional. Ainda assim, mais de 60% do peixe consumido em Rio Branco vem de Rondônia, o que demonstra a dependência externa de um produto que poderia — e deveria — ser 100% acreano.
A reativação de viveiros abandonados, proposta recentemente pela Prefeitura de Rio Branco, aponta para um caminho possível de retomada produtiva. Trata-se de uma medida que, se acompanhada de investimento técnico, financiamento acessível e logística eficiente, pode colocar a cadeia do pescado no centro da política econômica estadual.
Eventos como a Feira do Peixe, que chegou este ano à sua 17ª edição, são importantes porque aproximam o consumidor do produtor local, geram renda imediata e fortalecem o sentimento de pertencimento à produção acreana. Mas o impacto real da piscicultura virá de políticas públicas permanentes, que vão além do calendário sazonal.
A piscicultura pode ser um motor de inclusão produtiva, especialmente em áreas rurais e comunidades tradicionais. Com incentivos adequados, o setor pode gerar milhares de empregos diretos e indiretos, movimentar a economia das pequenas cidades e criar novas rotas de escoamento comercial para dentro e fora do estado. Para isso, é fundamental garantir a capacitação dos produtores, o acesso à assistência técnica e o investimento em infraestrutura, especialmente em transporte, energia e armazenamento.
Ao apostar na piscicultura como força econômica, o Acre também avança na valorização de seus recursos naturais e no estímulo a uma economia mais autônoma e sustentável. O crescimento do setor contribui para a soberania alimentar, fortalece a agricultura familiar e reduz a dependência de importações, ao mesmo tempo em que abre oportunidades de exportação e geração de divisas.
