Rio Branco, Acre - quarta-feira, 22 abril, 2026

“19 ilegalidades” viram eixo da crise e colocam transporte de Rio Branco sob suspeita formal

Foto: Reprodução 

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A crise do transporte coletivo em Rio Branco ganhou contornos mais graves após o vereador Eber Machado afirmar, em discurso na Câmara, que identificou 19 ilegalidades no processo licitatório do sistema — denúncia que, segundo ele, já foi formalmente encaminhada aos órgãos de controle.

“Essa consultoria me apresentou 19 ilegalidades. Comuniquei, protocolei ao RBTrans, protocolei ao Ministério Público, protocolei ao Tribunal de Contas e também ao prefeito de Rio Branco”, declarou o parlamentar.

A afirmação se torna o principal eixo da crise por ir além da crítica política e apontar possíveis irregularidades com base técnica e institucional. No mesmo discurso, Eber classificou o processo como irregular desde a origem. “Essa licitação é criminosa. Criminosa!”, afirmou.

A fala ocorre no mesmo dia em que a capital registrou 100% de paralisação do transporte coletivo, cenário que, segundo o vereador, já era previsível. “O que aconteceu hoje era algo nítido, algo claro que iria acontecer”, disse.

Apesar do tom crítico, o parlamentar elogiou a decisão do prefeito Alisson Cristini de suspender a licitação. “Parabenizar o prefeito por ter suspendido essa licitação criminosa. Está no caminho certo”, afirmou.

No entanto, fez um alerta direto sobre os próximos passos da gestão municipal. “Se renovar esse contrato, vai estar assumindo que compactua com essa bandidagem, com essa safadeza, com essa pilantragem”, declarou, elevando o tom contra a possibilidade de manutenção do vínculo com a empresa responsável pelo serviço.

O discurso também direciona críticas à gestão anterior, comandada pelo ex-prefeito Tião Bocalom. “Ele é o grande responsável. Pela sua incapacidade de dialogar, deixou essa herança maldita”, afirmou.

Outro ponto central foi a cobrança por transparência nas operações do sistema. O vereador questionou os valores já movimentados pela empresa e defendeu a abertura de informações. “Não se justifica uma empresa que já levou mais de 250 milhões de reais chegarmos a isso. Se abrir essa caixa preta, muito neguinho vai pra cadeia”, disse.

Eber também anunciou medidas no âmbito do Legislativo. “Nós estamos convocando a empresa para que venha aqui explicar se vai abrir a caixa preta ou não”, afirmou, defendendo maior protagonismo da Câmara na condução da crise. “Esse é o momento da Câmara assumir essa situação. Não podemos nos acovardar”, completou.

Enquanto o embate político se intensifica, o impacto segue direto sobre a população. “É uma, duas horas na parada de ônibus. Quando tem parada de ônibus”, relatou o vereador, ao descrever a realidade enfrentada pelos usuários.

Com a denúncia formalizada, a crise do transporte em Rio Branco deixa de ser apenas operacional e passa a ocupar também o campo institucional. A partir de agora, o caso deve avançar em três frentes: a análise dos órgãos de controle, o posicionamento da prefeitura sobre o futuro do contrato e a pressão por respostas diante de um sistema que, na prática, parou de funcionar.

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