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A Polícia Penal do Acre chega aos 17 anos de existência marcada por disputas de narrativas entre governo e sindicato, em meio a um sistema prisional sobrecarregado e carente de investimentos.
O presidente do Instituto de Administração Penitenciária (IAPEN), Marcos Franco, reconheceu que a categoria enfrenta acúmulo de funções e defendeu a necessidade de delimitar melhor as atribuições dos policiais penais. Ele citou como exemplo a recente inclusão da responsabilidade de monitorar tornozeleiras eletrônicas em casos de violência doméstica, algo que, segundo ele, “extrapola” a função original.
Franco anunciou ainda um investimento de R$ 2,8 milhões na construção de uma sede para assistência aos servidores penitenciários, o NACO, voltada ao atendimento da saúde física e mental dos profissionais. A medida tenta responder ao aumento de casos de depressão, ansiedade e estresse entre policiais penais.
Já o presidente do sindicato da categoria, Leandro Rocha, ressaltou que os avanços conquistados até hoje sempre foram resultado da mobilização dos próprios servidores. Ele criticou o abandono do sistema penal e a falta de suporte do governo estadual.
Rocha também reconheceu divergências com a gestão do IAPEN, mas fez questão de pontuar que são “de ideias, não pessoais”, defendendo maior abertura ao diálogo. Para ele, a luta pela valorização está longe de terminar: “Seguiremos cobrando melhores condições de trabalho para que o sistema penal cumpra sua função com eficiência e dignidade”, afirmou.
Entre promessas oficiais e cobranças sindicais, o aniversário da Polícia Penal expõe um retrato de crise: servidores sobrecarregados, estrutura em colapso e uma categoria que continua resistindo para ser reconhecida como pilar essencial da segurança pública acreana.
